A promessa parece simples: comida crocante, com sabor semelhante ao da fritura tradicional, mas com muito menos óleo.
É uma das principais razões que ajudaram a transformar a Airfryer num dos eletrodomésticos mais populares para cozinhar no dia a dia. Mas a ideia de que tudo o que sai deste aparelho é automaticamente mais saudável está longe de ser verdadeira.
A explicação é relativamente simples: o aparelho pode alterar a forma como cozinhamos os alimentos, mas não altera magicamente o seu valor nutricional.
Afinal, a Airfryer é mais saudável do que uma fritadeira tradicional?
Em muitos casos, sim. A principal diferença está na quantidade de gordura utilizada. Enquanto uma fritadeira tradicional mergulha os alimentos em óleo quente, a Airfryer utiliza circulação intensa de ar quente e pode funcionar com uma quantidade muito pequena de óleo ou até sem óleo adicional, dependendo do alimento.
A Deco Proteste considera precisamente esta uma das principais vantagens das fritadeiras a ar: utilizam muito menos óleo do que as fritadeiras tradicionais e podem, por isso, adicionar menos calorias aos alimentos.
O problema não está na Airfryer. Está muitas vezes no que lá colocamos
Imagine duas refeições. Na primeira, coloca no cesto legumes, peixe e batata-doce, usando apenas uma pequena quantidade de azeite. Na segunda, coloca nuggets ultraprocessados, enchidos ou batatas congeladas.
As duas refeições foram feitas na mesma máquina. Mas isso não significa que tenham o mesmo perfil nutricional. Por isso, para tirar partido das vantagens do aparelho, a escolha dos alimentos continua a ser fundamental.
Peixe, legumes, batata, batata-doce, frango, ovos e leguminosas podem ser excelentes opções para preparar neste equipamento. Já alimentos muito processados continuam a ser alimentos muito processados, mesmo que sejam cozinhados sem óleo.
Há outra questão: a Airfryer não elimina a acrilamida
É aqui que a história fica mais interessante. Quando determinados alimentos ricos em amido são submetidos a temperaturas elevadas, pode formar-se acrilamida, uma substância prejudicial à saúde. E cozinhar com ar quente não elimina esse fenómeno.
A Deco Proteste alerta que a fritura a ar continua a ocorrer a temperaturas elevadas e que a formação de acrilamida permanece possível. A organização refere ainda que os estudos disponíveis não permitem concluir de forma definitiva que as Airfryers produzam sempre menos acrilamida do que a fritura convencional: alguns apontam para níveis ligeiramente inferiores, enquanto outros encontram valores semelhantes.
O truque para tornar a Airfryer realmente uma aliada da alimentação saudável
Não é escolher o programa “saudável”. É mudar o que coloca dentro do cesto. Uma boa regra é pensar na Airfryer como um pequeno forno ventilado e utilizá-la para preparar alimentos pouco processados.
1. Aposte nos legumes
Brócolos, courgette, cenoura, pimentos, couve-flor e outros vegetais podem ganhar uma textura muito mais apelativa quando assados. Um pequeno fio de azeite e algumas ervas aromáticas podem ser suficientes para melhorar o sabor.
2. Prefira peixe a alimentos panados ultraprocessados
Salmão, pescada, dourada ou bacalhau podem ser preparados rapidamente. O objetivo é aproveitar a Airfryer para cozinhar o alimento, e não necessariamente para imitar alimentos fritos industrializados.
3. Use pouco azeite, mas não tenha medo dele
A vantagem da Airfryer não está necessariamente em eliminar completamente a gordura. O azeite pode continuar a fazer parte de uma alimentação equilibrada. A questão é evitar a quantidade de óleo necessária numa fritura convencional.
4. Não encha demasiado o cesto
Este é um erro comum. A Deco Proteste recomenda evitar sobrecarregar a Airfryer, uma vez que o ar quente precisa de circular. No caso das batatas fritas, os testes indicam que é preferível não encher demasiado o cesto para obter melhores resultados.
Uma camada demasiado compacta pode fazer com que os alimentos cozinhem de forma desigual e obrigar a aumentar o tempo de confeção.
5. Evite temperaturas desnecessariamente elevadas
Mais temperatura nem sempre significa melhor resultado. É recomendada atenção à temperatura e explica que algumas preparações podem ficar melhores com temperaturas mais baixas e tempos ligeiramente superiores.