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Crianças e mudança da hora: O que fazer para evitar os despertares madrugadores

A mudança para a hora de inverno pode baralhar temporariamente o relógio biológico das crianças. Há, no entanto, algumas estratégias simples que os pais podem começar a aplicar antes do fim de semana da mudança da hora.

Criança a dormir
Crédito@Unsplash

A transição para o horário de inverno traz a promessa de "ganhar mais uma hora de sono", mas para quem tem crianças em casa a realidade costuma ser diferente. Quando o relógio atrasa uma hora durante a madrugada de domingo, o organismo dos mais pequenos não faz a atualização automática. Esta mudança transforma muitos bebés e crianças em "despertadores humanos" prontos para começar o dia por volta das 05h ou 06h da manhã.

A boa notícia é que o relógio biológico (ritmo circadiano) pode ser reajustado gradualmente. Especialistas na área da pediatria e da medicina do sono recomendam uma preparação prévia para suavizar a transição.

O plano de ação: 4 dias antes

Para conter os despertares de madrugada, a Associação Portuguesa de Sono (APS) aconselha uma estratégia de adaptação progressiva a iniciar a meio da semana que antecede a mudança da hora.

Como aplicar o plano passo a passo:

  1. Quarta-feira a sábado: Deite a criança 30 minutos mais tarde do que o habitual em cada noite. Se possível, tente também atrasar ligeiramente a hora de acordar de manhã no mesmo intervalo;
  2. Deslocar as rotinas diárias: O truque não passa apenas pela hora de ir para a cama. Empurre 15 a 30 minutos para mais tarde as horas do almoço, do lanche, do jantar e do banho;
  3. Domingo com o novo horário: Volte a deitar a criança à hora habitual no novo horário. Como o organismo foi gradualmente exposto ao atraso nos dias anteriores, o corpo aceitará o novo ritmo de forma natural.

3 fatores para ajustar o relógio biológico

Além da mudança progressiva nos horários, a gestão dos estímulos externos no ambiente familiar desempenha um papel decisivo:

1. A luz natural como aliada

A luz solar é o principal sincronizador do ritmo circadiano. Na manhã de domingo (já no novo horário), abra as persianas e exponha a criança à luz do dia logo após acordar. Isto ajuda o cérebro a perceber que o dia começou.

2. Escuridão e zero ecrãs ao fim do dia

Tanto a Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) como a Direção-Geral da Saúde (DGS) sublinham que a luz azul emitida por telemóveis, tablets e televisões inibe a produção de melatonina (a hormona do sono). Elimine a exposição a ecrãs entre 30 a 60 minutos antes de deitar e mantenha o quarto escuro e tranquilo.

3. Ajuste controlado das sestas

Para crianças pequenas que ainda fazem a sesta diurna, não salte esse descanso. Uma criança demasiado cansada produz mais cortisol e tem mais dificuldade em adormecer à noite. Em alternativa, atrase o início da sesta cerca de 15 a 30 minutos a partir de meados da semana.

Quantas horas deve dormir uma criança?

A necessidade de sono varia com a idade. Segundo a DGS, as recomendações gerais são:

Idade Horas de sono recomendadas
1-5 anos 10-14 horas
6-13 anos 9-11 horas
14-17 anos 8-10 horas

Para crianças mais pequenas, as recomendações publicadas pela DGS para um estilo de vida saudável apontam para 11-14 horas entre 1 e 3 anos e 10-13 horas entre os 3 e os 5 anos, considerando o sono de qualidade ao longo das 24 horas.

Isto significa que a adaptação à mudança da hora não deve ser feita à custa de reduzir o descanso de que a criança necessita.

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